Quem escreve num blog como este, tem que curtir marketing. Não tem jeito.

Uma das matérias da disciplina trata do ciclo de vida de produtos. Em leitura de um dos Porters da vida, nunca mais me esqueci do conceito. Reconhecer que nenhum produto é lançado no mercado por acaso, ou à sorte, é fundamental em qualquer análise. Se alguém reclama: – ué, cadê o lançamento da Microsoft? Se eu tiver que responder, digo: – calma! A empresa é gigante e sabe o que está fazendo. A Microsoft possui diversos planos, projetos em andamento, processos próprios, etc. Mas, por que falar disto agora?

Em 4 de setembro de 2015, acompanhei a keynote sobre os lançamentos de hardware de OEMs parceiras da Microsoft que aconteceu em Berlim, durante a IFA 2015. Não iria se tratar de Lumias, Surfaces, nem de nada da companhia no evento. Já era sabido. Ocorre, que o anfitrião da Microsoft, Nick Parker, soltou a seguinte frase, muito interessante na minha opinião: “the device will get better through its lifecycle”. Lifecycle, para quem não sabe, significa “ciclo de vida”, e “device”, dispositivo, ou… Produto! Algo como: o produto ficará melhor à medida que avançar seu ciclo de vida!

O produto, como nós, nasce, amadurece e morre. Isso é estudado em marketing por diversos motivos. O principal? Lucro. A formação do preço do produto está intimamente ligada ao seu ciclo de vida. E, novamente, assim como nós seres humanos, os produtos não estão sozinhos no mercado, há outros por aí chamados “concorrentes”.

Os concorrentes, no segmento de smartphones, se encontram em outras fases, ou etapas, de seus ciclos de vida.

Em 11 de maio de 2015, escrevi: “notem que, quando cito ciclo de vida dos produtos da concorrência, penso, claro e inclusive, no próximo Lumia carro-chefe. Por quê? Por dois motivos. Primeiro porque muitos acham que a Microsoft está devendo um smartphone high-end e segundo, justificando a primeira proposição, porque a Microsoft já publicou que o próximo high-end virá somente quando o Windows 10 para smartphones estiver pronto para o lançamento (RTM). Aí especulo, a companhia está no timing correto! Um high-end somente será bem sucedido, e será, acredito, se vier com o diferencial que todos esperam: hardware top e experiência Windows 10 semelhante à sua iteração para desktop! Quando a Microsoft entregar todos os produtos e serviços programados, será o marco que indicará o início do declínio do ciclo de vida dos produtos e serviços da concorrência! Vaticino”!

A previsão de maio foi arriscada, mas reparem: os Lumias 950 chegaram exatamente com a TH_2 do Windows 10 Mobile.

E o gap sem novos aparelhos até a chegada da Redstone_2 em 2017? Qual foi a justificativa “oficial”? Exatamente o lançamento concomitante à chegada do próximo grande Update do sistema móvel.

Há também a Vantagem Competitiva da Microsoft em relação às demais fabricantes. Como exemplo, posso citar o legado Nokia, a tecnologia OneCore e a complexidade dos serviços da gigante de Redmond. Fundamental para o ciclo de vida dos nossos celulares.

Não me esquecerei nunca do que Nadella disse: o Windows 10 sem sua iteração Mobile não teria sentido.

Fonte: o autor.